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» » MORTE DE UM SÍMBOLO

Há cinco anos, ininterruptos, todos os dezembros volto à minha querida e amada Arara. Apesar de ser areiense, do alto da corcunda da Serra da Borborema; sinto-me filho das terras das Baraúnas, que no séc. XIX serviam de sombra e recanto para os bravos tropeiros do intercâmbio comercial entre Sertão e Brejo.

Sob as frondosas árvores pintadas em cores de Araras diversas, apeavam-se de suas montarias, estendiam suas esteiras de pipiri, espalhavam seus pratos de barros e cumbucas de cabaça para alimentar o "bucho"; e após a refeição à base de jabá, farinha e rapadura, esticavam as canelas pra descansar o esqueleto quase triturado pelo caminhar cruel entre as estradas caatingueiras do sertão ao agreste.

Arara é objeto de uma linda história, começando pelo grande Ibiapina, pioneiro do nosso desenvolvimento; mas antes dele os tropeiros da Borborema já encenavam uma linda peça, por estas paragens.

Pena que nossa história é pouco, ou quase nada preservada; o que resta dela foi guardada por alguns cidadãos apaixonados por esse pequeno pedaço de torrão, quase que suspenso no alto da serra, onde recebe o olhar apaixonado da Santa Fé; filha sequestrada, diria assim, por uma vizinha que não lhe dá assistência de mãe. SANTA FÉ É FILHA MORAL DE ARARA, por afinidade e proximidade, isso já é quase o bastante.

Vamos voltar a questão inicial: Minhas idas em férias, sempre em dezembro, há um motivo maior, ficar com familiares e amigos o Natal e Fim de Ano.

Saí de Arara ha muitos anos, várias administrações municipais já se passaram e parece que nenhuma se interessou eficazmente pela sua história. O passado parece não interessar o Poder Público, que troca de gerenciamento à cada eleição, mas se mantém inerte a este assunto.

Cito um exemplo: Ao lado do açude, construido em tempos que Arara não deveria ter mais que duas dúzias de casas, ha uma construção em forma cilíndrica; não sei a data que foi erguida, mas deve ser do início do século passado, vejo este "cilo" como um marco na história da cidade. Há alguns anos tinha até uma Arara azul de metal em seu topo, o descaso e a falta de manutenção fez co que o pássaro fosse perdendo sua composição: uma de suas pernas se partiu, em seguida a cabeça caiu, depois uma das asas, e finalmente a outra perna... aí não teve mais jeito. A velha arara azul, símbolo maior, despencou do alto do cilo, pra nunca mais voltar a enfeitar a velha construção cilíndrica.

Em dezembro de 2012, desci a Gama Rosa; por sinal a Rua mais bonita de Arara; e olhem que já foi mais falada e vilipendiada no passado, por ter sido a Rua do Cabaré de Maria Souza, Rua das Primas, como diziam meus tios. Então! O cilo continuá lá, de pé mas capencando pra cair, totalmente abandonado, num sofrer sem fim, a estrutura está comprometida, com rachaduras aparentes na fachada, alguns moradores de rua(já existe em Arara), utilizam sua área pra estender roupas. Um verdadeiro crime contra o Patrimônio Público!

Aqui fica o meu apelo, como ararense de coração e alma, pois não sou cidadão desta cidade que amo tanto.

Senhores vereadores, representantes do povo, ao descerem pela Rua Gama Rosa(se continuam ainda fazendo isso), olhem um pouco para o alto, lado esquerdo de quem desce. Algum de vocês abracem esta causa, socorram o velho cilo, enquanto ha tempo. Garanto que gastarão menos do que se gasta numa festa de Aniversário da Cidade, onde não se conta nada de sua história aos jovens cidadão, gastarão menos do que se gasta com uma banda de forró alienante e alucinante. 

O povo precisa de diversão, mas precisa mais de cultura e conhecimento.

UM POVO SEM MEMÓRIA É UM POVO SEM HISTÓRIA.



Portal Arara
Fonte : Jurandy França

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