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» » » Bolsa Família deve ter corte de R$ 1,07 bilhão em 2018; veja outras áreas atingidas

O governo apresentou nesta semana a proposta de orçamento definitiva para o ano de 2018 e, com isso, indicou os valores que vão estar disponíveis para serem aplicados em políticas públicas e investimentos no próximo ano.
O portal de notícias G1 fez um levantamento e comparou os números com os do orçamento de 2017. A previsão para o valor total de gastos subiu 2,98%, para R$ 3,5 trilhões, em linha com o teto de gastos (que permite um aumento de até 3% em 2018.
Algumas áreas, como agricultura familiar, vão perder recursos em 2018 na comparação com o orçamento de 2017. Outras, porém, como fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), vão ter a verba ampliada (veja mais abaixo).
Os valores incluem gastos com pessoal e encargos, despesas correntes, investimentos, gastos financeiros, reserva de contingência, juros, encargos e amortização da dívida.
Do total de R$ 3,5 trilhões, R$ 1,77 trilhão foi reservado para o serviço da dívida e, outro R$ 1,72 trilhão, para gastos com pessoal, despesas correntes, investimentos e reserva de contingência.
A indicação de valores, neste primeiro momento, não significa necessariamente que estes recursos serão gastos. Isso porque o Congresso ainda tem de avaliar a proposta e pode fazer alterações.
Além disso, o governo também pode optar por bloquear recursos no próximo ano para cumprir a meta fiscal, ou seja, o resultado pré-fixado para as contas públicas, que é de déficit (despesas superiores às receitas) R$ 159 bilhões nas suas contas – algo que é muito comum.
Quem perdeu dinheiro?
A proposta de orçamento para o próximo ano mostra que houve uma forte queda de recursos disponibilizados para algumas áreas, entre as quais as políticas para agricultura familiar.
Na proposta de orçamento de 2017, foram indicados R$ 9,72 bilhões para a agricultura familiar. Para 2018, estão previstos R$ 6,28 bilhões, uma queda de R$ 3,44 bilhões ou de 35,4% de um ano para o outro.
As ações voltadas para reforma agrária também tiveram corte, de 28%, na dotação orçamentária para 2018, o equivalente a R$ 311 milhões.
O programa conhecido como “Educação de Qualidade para Todos” – que incentiva a formação inicial e continuada para a Educação Básica nas modalidades presencial e à distância e desenvolve programas, cursos, pesquisas e estudos do magistério e de estudantes de nível superior –, também foi afetado.
A dotação passou de R$ 45,4 bilhões em 2017 para R$ 41,99 bilhões no ano que vem, um tombo de R$ 3,47 bilhões.
O Bolsa Família, segundo os dados do orçamento, também perdeu valores, com sua dotação autorizada caindo de R$ 29,77 bilhões, neste ano, para R$ 28,7 bilhões em 2018 – um recuo de 3,6%, ou R$ 1,07 bilhão. O governo argumenta que fez um pente-fino no programa, retirando as famílias que não estavam dentro das regras estabelecidas.
A defesa nacional foi outra área fortemente atingida. Para 2018, estão previstos R$ 11,03 bilhões, contra R$ 13,3 bilhões neste ano, uma queda de 16,97%, o equivalente a R$ 2,25 bilhões.
Também foram restringidas dotações orçamentárias para Cultura (-15%, ou R$ 211 milhões a menos), comércio exterior (-17,8%, ou R$ 866 milhões de perda), políticas para mulheres (-52,6%, ou R$ 43 milhões), proteção dos direitos das crianças e adolescentes (-22,7%, ou R$ 9,5 milhões), direitos de pessoas com deficiência (-44,2%, ou R$ 13,3 milhões), povos indígenas (-4,2%, ou R$ 63 milhões).
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que essa é a “realidade” do governo neste momento. Ele acrescentou que o Executivo procurou manter o funcionamento dos programas sociais em um “nível bom” e, também, dar andamento às obras mais importantes de infraestrutura.
“Temos de fazer escolhas. Temos de ter equilíbrio entre as diversas atividades do governo. O governo não tem nenhuma atividade desnecessária. Fizemos uma proposta que está muito equilibrada dentro das dificuldades que temos, pois há uma parte do orçamento, que são as despesas, crescendo o dobro do limite do orçamento. Tem uma parte que está comendo o orçamento das outras: a Previdência”, afirmou ele.
Quem ganhou?
O governo, porém, também prevê aumento de gastos para algumas áreas em 2018. O programa de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) foi mais beneficiado: sua dotação saltou de R$ 91,03 bilhões em 2017 para R$ 99,63 bilhões no ano que vem (comparação feita com base nas propostas de orçamento).
A alta, nesse caso, foi de R$ 8,6 bilhões, ou de 9,45%. Pela regra de teto de gastos, a saúde e a educação têm um piso de correção pela inflação, ou seja, as despesas têm de subir pelo menos o valor da inflação. Mas, para subir acima disso, o governo precisa cortar recursos de outras áreas.
Também ganhou recursos o Sistema Único de Assistência Pessoal (SUAS), com indicação de R$ 57,18 bilhões em gastos no próximo ano, contra R$ 52,3 bilhões em 2017 – aumento de R$ 4,88 bilhões, ou de 9,33%. Assim como no caso so SUS, a assistência social teve seus gastos corrigidos bem acima da inflação (patamar de 3% considerado pelo teto de gastos).
O programa de promoção do trabalho decente também se destacou no recebimento de mais verbas no próximo ano. A dotação passou de R$ 57,82 bilhões, na proposta orçamentária de 2017, para R$ 62,91 bilhões em 2018 – um incremento de cerca de R$ 5 bilhões, ou 8,8%.
 Também foram beneficiados com mais recursos no próximo ano os sistemas de gestão de riscos e de desastres (+86%, ou R$ 803 milhões a mais) e de energia elétrica (+8,37%, ou R$ 81 milhões), o desenvolvimento do turismo (+91%, ou R$ 235 milhões), a pesca e aquicultura (+19,8%, ou R$ 7,1 milhões), e promoção dos direitos da juventude (+9,7%, ou R$ 1,5 milhão).
ORÇAMENTO
Área ou programaR$ em 2017R$ em 2018variação %
Fortalecimento do Sistema Único de Saúde91 bilhões99,6 bilhões9,45%
Políticas para mulheres81,6 milhões38,6 milhões-52,65%
Fortalecimento e dinamização da agricultura familiar9,7 bilhões6,2 bilhões-35,4%
Aviação Civil464 milhões361 milhões-22,14%
Inclusão social por meio do bolsa família29,7 bilhões28,7 bilhões-3,6%
Ciência, tecnologia e inovação3,5 bilhões2,8 bilhões-18,09%
Comércio exterior4,8 bilhões3,9 bilhões-17,86%
Cultura: dimensão essencial do desenvolvimento1,3 bilhão1,1 bilhão-15,6%
Defesa agropecuária226 milhões230 milhões1,6%
Desenvolvimento regional e territorial980 milhões1 bilhão2,8%
Energia elétrica966 milhões1 bilhão8,3%
Promoção da igualdade racial e superação do racismo24 milhões25 milhões4,71%
Esporte, cidadania e desenvolvimento722 milhões485 milhões-32,8%
Consolidação do sistema único de assistência social52,3 bilhões57,1 bilhões9,3%
Gestão de riscos e desastres925 milhões1,7 bilhão86,8%
Geologia, mineração e transformação mineral58,9 milhões56 milhões-4,9%
Pesquisa e inovações para agropecuária367 milhões332,3 milhões-9,4%
Promoção dos direitos da juventude15,1 milhões16,6 milhões9,7%
Mobilidade urbana e trânsito1,4 bilhão767,8 milhões-48,1%
Moradia digna7,6 bilhões6,1 bilhões-18,9%
Pesca e aquicultura35,7 milhões42,8 milhões19,8%
Petróleo e gás123,9 milhões82,2 milhões-33,6%
Planejamento urbano7,1 milhões2,8 milhões-60,3%
Política espacial266,8 milhões151,4 milhões-43,2%
Defesa nacional13,2 bilhões11 bilhões-16,9%
Política nuclear1 bilhão614,6 milhões-40,5%
Promoção, proteção e defesa de direitos humanos das crianças41,9 milhões32,4 milhões-22,7%
Promoção e defesa dos direitos de pessoas com deficiência23,3 milhões13 milhões-44,2%
Promoção e defesa dos direitos humanos77,2 milhões61 milhões-20,9%
Proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas1,49 bilhão1,42 bilhão-4,1%
Reforma agrária e governança fundiária1,1 bilhão790 ,9 milhões-28,1%
Saneamento básico1,5 bilhão1,3 bilhão-15,7%
Segurança alimentar e nutricional736 milhões321 milhões-56,3%
Promoção do trabalho decente e economia solidária57,8 bilhões62,9 bilhões8,8%
Desenvolvimento e promoção do turismo255,7 milhões490,6 milhões91,8%
Agropecuária sustentável20,1 bilhões17,2 bilhões-14,6%
Desenvolvimento da indústria, comércio e serviços486,8 milhões411 milhões-15,5%
Educação de qualidade para todos45,4 bilhões41,9 bilhões-7,6%
Justiça, cidadania e segurança pública1,8 bilhão2,2 bilhões18,7%
Política externa1,1 bilhão935 milhões-21,8
Recursos hídricos2,1 bilhões2,2 bilhões4,3%
redução do impacto social do álcool e outras drogas80 milhões90 milhões12,5%
Transporte aquaviário5,7 bilhões4,6 bilhões-19,6%
Transporte terrestre9,5 bilhões7 bilhões-26,5%
Aprimoramento do Ministério Público90,8 milhões93,1 milhões2,5%
Presidência da República2,42 bilhões2,46 bilhões1,33%
Ministério da Agricultura6,1 bilhões6,4 bilhões4,8%
Ministério da Ciência3,2 bilhões3,1 bilhões-2,8%
Ministério da Cultura832 milhões805 milhões-3,2%
Ministério da Defesa54,9 bilhões58,7 bilhões7,04%
Ministério da Educação45,3 bilhões49,2 bilhões8,5%
Ministério da Fazenda13,5 bilhões16,3 bilhões20,04%
Ministério da Integração1,2 bilhão1,1 bilhão-4,3%
Ministério da Justiça7,1 bilhões8,3 bilhões17,05%
Ministério da Saúde13,7 bilhões13,06 bilhões-4,9%
Ministério das Cidades1,2 bilhão1,1 bilhão-7,08%
Ministério das Relações Exteriores2,07 bilhões1,94 bilhão-6,03%
Ministério de Minas e Energia1,5 bilhão1,6 bilhão4,9%
Ministério do Desenvolvimento972 milhões1,03 bilhão6,7%
Ministério do Desenvolvimento Social6,7 bilhões7 bilhões4,1%
Ministério do Esporte171 milhões252 milhões47,05%
Ministério do Meio Ambiente1,62 bilhão1,66 bilhão2,4%
Ministério do Planejamento4,5 bilhões7,1 bilhões57,3%
Ministério dos Transportes3,3 bilhões3 bilhões-8,4%
Ministério do Turismo129,5 milhões125,9 milhões-2,7%
Prestação de assistência jurídica gratuita pela Defensoria Pública552,8 milhões577,2 milhões4,4%
Advocacia-Geral da União3,05 bilhões3,09 bilhões1,4%
Ministério do Trabalho1,8 bilhão2,1 bilhões16,02%
Ministério da Transparência748,9 milhões766,4 milhões2,3%
TOTAL3,39 trilhões3,5 trilhões2,98%

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