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ABANDONO DA TERRA.

O Sol a pino em relances dourados, desnuda a beleza agrestina de uma partícula de terra. Revela a soberania territorial do Ipe roxo, que em dias de silêncio sepulcral, derrama lágrimas de saudades... desde pequenino acompanhou de perto a saga dos Barros, liderada pelo Patriarca que não mais bate o gume de suas enxadas a cada manhã de inverno.

O Ipe olha em sua volta e ver a casa de alpendre amplo onde as crianças pinotavam, enquanto ele; o Patriarca entre um solo e outro do velho cavaquinho, traçava junto à mulher planos para o futuro daqueles meninos e meninas que se ocupavam tão somente em brincar. 

O tempo passou, queimou os anos, enterrou os dias... aos poucos os meninos e meninas tornaram-se homens e mulheres, buscaram terras distantes... o Patriarca, sua mulher e o Ipe, ficaram para trás num tempo presente. As coisas mudaram por aquelas paragens, a violência importada afugentou a paz, poucos aguentavam ficar. O Patriarca e sua mulher resistiram enquanto havia sobra de forças e esperança de luz... o banditismo entrava aos poucos violentando a harmonia, parecia a volta do cansaço, o Patriarca, parecia tal qual o Ipe, plantado à terra. Suas forças sucumbiram à violência rural, entregava os pontos, largou a terra que deitou os pés por décadas, deu adeus ao velho amigo, que se vestirá com tecido amortalhado, foi pra cidade, lá continua até hoje. Enquanto isso a cada primavera o Ipe chora de saudades, e suas lágrimas de saudades em forma de pétalas, correm pelo caminho em busca do velho companheiro. 

Jurandy Franca/Portal Arara
Nota: este texto e uma homenagem ao meu tio Joel Barros e minha tia Nininha.
Local da foto: Lagoa do Jogo - próximo à Arara - PB.
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