PUBLICIDADE

Justiça do Paraná fixa multa para acampamentos pró e contra Lula

A Justiça do Paraná fixou multa diária para os manifestantes pró e contra Lula que permanecerem no entorno da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, local onde o ex-presidente está preso desde o sábado 7. No despacho, assinado pelo juiz substituto  da 3ª Vara da Fazenda Pública está previsto o pagamento de multa de R$ 500 mil por dia a cada réu que descumprir a medida de desocupação imediata do acampamento. 

O documento cita o Movimento Brasil Livre - MBL, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento Curitiba contra Corrupção, o Movimento UFPR Livre e o Partido dos Trabalhadores (PT).

A vigília de apoio ao ex-presidente começou a ser montada no entorno da Polícia Federal no próprio sábado 7, dia em que Lula começou a cumprir a pena de 12 anos e um mês de prisão. Já na chegada de Lula, cerca de 600 pessoas se aglomeravam em frente aos portões da Superintendência. A polícia reagiu com bombas de efeito moral e balas de borracha. 

No domingo 8, a pedido da prefeitura de Curitiba, o juiz Ernani Mendes Silva Filho chegou a expedir ordem para que os manifestantes se abstenham de transitar nas áreas descritas, não impeçam o trânsito de pessoas e coisas, bem como se abstenham de montar estruturas e acampamentos nas ruas e praças da cidade. A medida, no entanto, não surtiu efeito.

Na quarta 11, o Sindicato dos Delegados da PF do Paraná emitiu uma nota alegando que o acampamento em frente à sede da corporação em Curitiba tem causado "graves inconvenientes e atrasos nos atendimentos e ações policiais".  Os agentes federais pedem para que o petista seja transferido para um local com "condições de segurança'. "A medida mais certada seria a transferência imediata do ex-presidente para uma unidade das Forças Armadas, que possui efetivo e estrutura à altura dos riscos envolvidos".

O sindicato afirma que o entorno da sede da PF foi alvo de uma "invasão" de centenas de pessoas ligadas "a movimentos sociais e outras facções". Além dos termos inapropriados para se referir a manifestantes, a nota afirma que o acampamento tem prejudicado a realização de atividades relacionadas à rotina policial, entre eles, emissão de passaportes e questões relacionadas a produtos químicos, segurança privada, armas e emissão de certidões de antecedentes criminais.

A explicação dos delegados não reserva qualquer crítica ao responsável pela decisão, o próprio Moro. Não havia dúvidas que uma prisão do ex-presidente levaria a uma comoção suficiente para promover grandes aglomerações de apoio ao petista. Os dias de vigília contra a prisão de Lula no Sindicato dos Metalúrgicos já indicavam que haveria mobilização após sua prisão. Ainda assim, os agentes federais preferem culpar os apoiadores do réu pelo transtorno, e não o magistrado responsável pelo caso.

Na ocasião, o acampamento Lula Livre reagiu às declarações com uma nota. Veja na íntegra:
Leia a íntegra da nota do acampamento Lula Livre
Sobre o ofício e as declarações do sindicato dos delegados da Polícia Federal, as organizações à frente do acampamento Lula Livre, instalado nas imediações da Superintendência da Polícia Federal, afirmam que:
Seguimos em resistência no acampamento, exigindo a liberdade para o ex-presidente Lula. E estaremos onde se mantiver a condenação injusta e sem provas, no contexto de nossa resistência pacífica. 

O tema dos moradores está sendo usado com má-fé, por pessoas e grupos que querem desviar o tema central, que é o arbítrio da prisão de Lula. 

No que se refere ao acampamento, estamos instalados pacificamente em área pública. É notória a recepção dos moradores, que ajudam diariamente com água, energia elétrica, rede de internet. Muitos participam das atividades do acampamento, prestigiam nossas cozinhas e espaços culturais. A cada dia a imprensa presente pode verificar a melhoria na organização. A relação também é boa com o comércio. 

Cumprimos os acordos coletivos de silêncio depois das 22h às 7h. Cerca de 80 pessoas da equipe de limpeza recolhem o lixo e fazem a limpeza todas as manhãs. E estamos sempre apontando melhorias na estrutura de banheiros. 

Realizamos uma carta aos moradores, onde reafirmamos nosso pedido de desculpas pelo transtorno, mas não somos responsáveis pelas violações, pela violência de sábado, esta sim precipitada pela Polícia Federal, nem pela arbitrariedades que estão sendo cometidas contra Presidente Lula.

Atenciosamente, 
Curitiba, 11 de abril de 2018

Portal Arara
Fonte: carta capital
Tecnologia do Blogger.