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Mariano Rajoy é destituído e Pedro Sánchez é novo premiê da Espanha

Mariano Rajoy não é mais o primeiro-ministro da Espanha, que a partir desta sexta-feira tem um novo chefe de Governo. Em uma reviravolta que parecia impensável há poucos dias, Pedro Sánchez, secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), foi nomeado pelo Parlamento espanhol como substituto do premiê conservador. Rajoy, do Partido Popular, governava o país havia seis anos e meio e perdeu uma moção de censuracontra si. O líder socialista conseguiu reunir apoios de diferentes partidos de esquerda até agora inimizados, e especialmente dos nacionalistas, inimigos históricos do PP de Rajoy, para vencer.


Mariano Rajoy, de 63 anos, discursou na sessão desta sexta com evidente emoção, desejando o melhor para Sánchez. Disse que como democrata aceita o resultado da moção, mas que não pode admitir “o que se fez”. Considerou uma honra ter presidido o Governo e também deixar a Espanha melhor que encontrou. “Tomara que meu substituto possa dizer o mesmo. Obrigado a todos e ao meu partido. E a todos os espanhóis por sua compreensão e apoio. E obrigado a vocês pelo bem da Espanha.”
Há oito dias, Mariano Rajoy se viu imerso em um terremoto político sem precedentes na sexta maior economia da Europa. Na quinta-feira da semana passada, a Justiça proferiu a sentença do Caso Gürtel, uma investigação policial sobre a corrupção sistêmica no PP. Após nove anos de investigação, centenas de membros do partido governista espanhol foram declarados culpados; muitos deles estavam no Governo, que já havia passado os últimos tempos isolado e desgastado. Condenou-se o PP a pagar mais de 245.000 euros (cerca de um milhão de reais) como "partícipe a título lucrativo" da trama, considerou-se provado que houve um caixa-dois no partido desde 1989, e impôs-se uma pena de 33 anos de prisão a Luis Barcenas, ex-tesoureiro da agremiação. Além disso, o texto da Audiência Nacional questiona a credibilidade do depoimento de Rajoy como testemunha do caso.
Não é tão fácil saber o que fará Pedro Sánchez agora que chegou ao poder. Nos quatro anos em que ocupa a primeira fila na política, o socialista teve que confrontar praticamente todos os mecanismos do poder espanhol, incluindo os barões do seu próprio partido, que o expulsaram da presidência do PSOE, mas não foram capazes de evitar que voltasse em maio passado.
Agora, ele se prepara para presidir o Governo espanhol sem ter vencido as eleições, sem ser deputado e com o exíguo apoio de seus 84 deputados. Sánchez se comprometeu a respeitar o Orçamento Geral do Estado aprovado por Rajoy e a abrir um processo de diálogo com os separatistas catalães, no marco da Constituição e do Estatuto regional. Do mesmo modo, mostrou-se disposto a convocar eleições – como lhe pediu grande parte da coalizão que ofereceu seu apoio –, mas não precisou a data.
Portal Arara
Fonte: elpais
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