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Candidatos à Presidência evitam confrontos em 2º debate na TV

Quem acompanhou o segundo debate da eleição presidencial na noite desta sexta-feira (17), realizado pela RedeTV, assistiu mais uma vez a um encontro morno e com raros momentos de confronto entre os oito candidatos presentes: Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB, Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede).
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — preso desde 7 de abril após ser condenado em 2ª instância — foi convidado pela emissora, mas impedido de participar pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Um dos mediadores do encontro, o jornalista Boris Casoy, disse que o nono púlpito estava montado no cenário antes do início do debate, mas foi retirado após pedido dos outros candidatos, com exceção de Boulos.
Ciro x Alckmin
Assim como no encontro da semana passada, o debate desta sexta mostrou uma polarização entre o ex-governador cearense Ciro Gomes e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, que rivalizaram sobre questões econômicas como o teto de gastos, a política de industrialização e a legislação trabalhista, mas sem ataques e, em alguns momentos, com bom humor.
“Hoje, mais da metade do orçamento vai para juro e rolagem de dívida, 29% para previdência social, com privilégios — já que 25% dos valores vão para 2% dos beneficiários — e sobra 20% pra educação, saúde, segurança. Consertar a conta pública significa cortar despesa na proporção certa, e é preciso cortar nos juros. (…) Emprego é consequência do consumo das famílias, investimento empresarial, contas públicas e política industrial e comércio exterior que termine com o genocídio de empresas. Somos agricultura e pecuária mais competitiva do mundo, mas importamos fertilizantes e maior parte de suplementos agrícolas. Quero fazer política pra verticalizar a produção agropastoril” Ciro Gomes (PDT)
“A razão é que as contas públicas estouraram no período do PT. O resultado dos 13 anos do PT foram 13 milhões de desempregados. Quem assumir no ano que vem vai encontrar sexto ano de deficit primário. Já entra devendo 139 bilhões de reais. Problema não é a PEC do teto. Em São Paulo tivemos superávit primário. Não haveria necessidade da PEC do teto, o que precisa é reduzir tamanho do Estado. A PEC foi espécie de vacina contra PT e aliados, que quebraram o Brasil,. Não precisa de PEC nenhuma pra diminuir tamanho do Estado. Governar é escolher. Dinheiro sempre vai ser apertado” Geraldo Alckmin (PSDB)
Marina x Bolsonaro
O momento mais quente do encontro foi o embate entre Marina Silva e Jair Bolsonaro, já no fim do debate, quando os candidatos trataram da igualdade salarial entre homens e mulheres. Para Marina, um presidente da República precisa intervir na questão porque 76% das mulheres com a mesma função, cargo e experiência de um homem recebem salário menor. Para Bolsonaro, não é preciso intervir porque a igualdade está descrita na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).
“Na CLT já está garantido a mulher ganhar igual homem, desde que a diferença no tempo de serviço entre um e outro seja superior a dois anos. Já está garantido na CLT. Não temos que nos preocupar com isso. (…) Vamos simplesmente cumprir a lei, o que está na Constituição, nada além disso. Não vamos usar as mulheres pra nos dividir, como a praxe nos últimos governos, sempre jogando um contra o outro. Nós queremos o bem das mulheres. Agora o governo não pode interferir na iniciativa privada. Cumpra-se a lei, mais nada. Não vamos fazer demagogia pra conseguir simpatia das mulheres” Jair Bolsonaro (PSL)
“Só uma pessoa que não sabe o que significa uma mulher ganhar um salário menor do que um homem e ter as mesmas capacidades, mesma competência e ser a primeira a ser demitida, a última a ser promovida, e quando vai a uma fila de emprego não é aceita pelo simples fato de ser mulher. Então tem que se preocupar sim, porque quando se é presidente da República tem que cumprir a Constituição, que diz que nenhuma mulher pode ser discriminada, não pode fazer vista grossa. Um presidente da República está lá para combater injustiça. (…) Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência” Marina Silva (Rede)
Alvaro Dias x Meirelles
O candidato do Podemos, Alvaro Dias, insistiu na proposta de “refundação da república”, a partir do combate à corrupção como forma de atrair investimentos. Já Meirelles, do MDB, voltou a destacar sua carreira na iniciativa privada e nos órgãos públicos (Banco Central e Ministério da Fazenda).
“[Quero ser presidente] para refundar a república com reformas fundamentais para gerar 10 milhões de emprego e fazer o país crescer em média 5% ao ano, com a Operação Lava Jato se institucionalizando, se transformando na tropa de elite no combate à corrupção no país, que é a causa maior dos danos causados à economia , ao emprego e ao salário. (…) Falta competência, planejamento e honestidade” Alvaro Dias (Podemos)
“Primeiro é preciso empregos para quem quiser trabalhar e possa trabalhar. E precisa de governo competente, que tenha condições de investir na saúde, para isso é preciso experiência, capacidade de gestão. Banqueiro não é quem trabalha em banco, banqueiro é dono de banco. Eu trabalhei em banco a vida inteira e sei como fazer. (…) No Banco Central e depois na Fazenda, não houve escândalo, porque é preciso seriedade e experiência para se criar empregos, e administrando órgãos públicos com responsabilidade” Henrique Meirelles (MDB)
Boulos e Cabo Daciolo
O candidato Guilherme Boulos criticou privilégios da elite brasileira, com destaque para a cobrança de mais impostos para os mais ricos, e repetiu diversas vezes elogios a seu partido, o PSOL, que “representa novo jeito de fazer politica, sem balcão de negócios”.
“Problema do Brasil não é falta dinheiro. Brasil é um país rico. Problema nosso é que esse dinheiro está mal distribuído e não chega onde tem que chegar. Vamos fazer reforma tributária progressiva, pra cobrar dos mais ricos, que são os que menos pagam. vamos enfrentar o bolsa banqueiro e o bolsa empresário, e com isso vai ter dinheiro pra educação. Vamos criar 1 milhão de vagas no ensino superior. Vamos ajudar o jovem com dívidas no Fies. vamos suspender a dívida com Fies por um ano para permitir que o jovem reorganize sua vida” Guilherme Boulos (PSOL)
Ex-correlegionário de Boulos no PSOL, o presidenciável Cabo Daciolo, agora no Patriota, empunhou uma bíblia durante praticamente todo o debate. O deputado federal criticou a intervenção federal no Rio de Janeiro, o sistema de urnas eletrônicas, o comunismo, defendeu o retorno do voto em papel e se declarou contra o aborto e a legalização das drogas.
“Nação brasileira, sou contra a liberação do aborto, contra a liberação das drogas. E um homem e uma mulher de Deus, independente da religião, a sua palavra tem que ser ‘sim, sim’ e ‘não, não’. (…) Antes de você nascer, você já estava separado, então sou totalmente contra. Eu sou defensor da família tradicional brasileira” Cabo Daciolo (Patriota)
Fonte: R7
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